quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Como obter o visto para a Índia!

Essa semana recebi em meu email a minha esperada autorização de entrada na Índia, para onde vou daqui a algumas semanas, e acredito que esse tema possa interessar outras pessoas que pensam em visitar esse país!



1º Como funciona?

A Índia trabalha com três possibilidades de autorização de entrada para estrangeiros: e-visa, visto na entrada, dado pelo oficial de fronteira no momento da chegada, e o visto tradicional, obtido enviando a documentação necessária para a embaixada ou consulado. O Brasil está hoje enquadrado na primeira modalidade, o e-visa.

2º E-Visa

Mas o que é esse e-visa? Basicamente é uma pré-autorização de entrada. Deve-se preencher um formulário no computador, pagar uma taxa e aguardar até receber uma resposta no email, autorizando sua viagem para o país, ou exigindo alguma documentação adicional.

O e-visa deve ser utilizado para quem quer passar até 30 dias da Índia, e dá direito a apenas uma entrada no país, ou seja, não dá para ir visitar o Nepal, por exemplo, e depois voltar a entrar na Índia. Caso você queira ficar mais tempo por lá, ou planeje a sua viagem com mais de uma entrada e saída, o jeito é tirar um visto tradicional, mais informações aqui.

Para se obter o e-visa eu recomendo começar providenciando duas das principais exigências feitas pelo sistema, para não ter que parar no meio do processo:

- Uma foto de rosto com fundo branco, que deve pesar entre 10kb e 1mb e ser no formato jpeg. Eu mesmo tirei a minha, fui numa dessas cabines de foto que ficam no metro e aproveitei o fundo branco e a luz grátis. Ficou bem lindo:

Se eles aprovaram a minha cara de prisão de ventre, com certeza irão aprovar a sua!

- A página de identificação e assinatura do passaporte, em formato pdf, tamanho mínimo de 10kb e máximo de 300kb. Esse foi meio chato fazer, porque se após tirar foto com o celular, é preciso converter em pdf, e mesmo assim o arquivo costuma ficar grande. Existem várias ferramentas online para diminuir o tamanho do pdf e manter a qualidade, eu usei o pdfcompress! e funcionou de boa, fazendo um arquivo de 3,17mg ficar com 209kb.

3º Preencher a solicitação!

Meu, mó trabalheira arrumar a foto e o passaporte, por isso mesmo eu recomendo deixar os dois arquivos bontinhos preparados, porque agora começa a parte mais longa e detalhada.

Primeira coisa, o navegador. Comecei usando o chrome, mas deu pau na hora de subir a foto e o passaporte, daí mudei para o mozila e funcionou tranquilo até o final, então melhor usar o mozila logo de início e evitar perder seus dados.

Cuidado na hora de encontrar o site correto, procura no google "evisa india" e veja o que aparece! Simplesmente NENHUM dos sites listados é o oficial do governo indiano, mas sim sites comerciais que vão vender o suposto serviço de auxílio no preenchimento do formulário, ou seja, vão ganhar em cima de você, e mesmo assim quem garante que os caras vão te ajudar mesmo? Enfim, é cilada Bino!



O site oficial para preencher sua solicitação é o: https://indianvisaonline.gov.in/visa/index.html

A primeira impressão é que estamos num daqueles sites antigos, meio colorido demais, meio uol em 1998. É esse mesmo, você está no lugar certo, e além disso ele está todo em inglês, e não te oferecerem nenhum outro idioma, portanto se não souber a língua de Shakespeare, dê seus pulos.


O preenchimento é relativamente intuitivo. O único perrengue pode ser na hora de eles pedirem um contato na Índia. Coloque o nome do seu hotel ou host do airbnb ou couchsurfer, meu caso é esse último, e dá tudo certo.

Depois disso vem a hora do faz me rir, da grana, da bufunfa! Eu paguei 49 dólares de taxa.

O resto é bem simples, eles te enviam um email com os detalhes da solicitação, e depois de 2 dias recebi um novo email com minha autorização de entrada.

IMPORTANTE! O E-VISA PERMITE QUE VOCÊ ENTRE NA ÍNDIA NOS 30 DIAS SEGUINTES À EMISSÃO. OU SEJA, NÃO DÁ PARA FAZER SEU PEDIDO COM ANTECEDÊNCIA SUPERIOR A 1 MÊS! SE LIGA PARA NÃO PERDER TEMPO E DINHEIRO!

Um último detalhe interessante. É obrigatório levar sua autorização impressa para mostrar para o oficial da imigração, no entanto, no email que te enviam, não anexam o tal documento, é preciso entrar no site do e-visa, preencher o número do seu pedido e passaporte e lá num cantinho, pequenininho e triste você vai encontrar um botão "print".

Ufa! Agora é só abrir o abraço, pregar seu terceiro olho e se jogar!






quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Erros e aprendizados 1

Quando se chega em uma nova cidade com a intenção de não fazer turismo, mas sim conhecer a fundo o lugar, é de se imaginar que o ideal é reservar vários dias para aproveitar o local, sentir a vibe, a energia da cidade, viver quase como um local, certo?

Quase.

Um dos meus erros nessa volta ao mundo eu tenho descoberto nesses últimos dias. Apesar de não ser uma viagem de turismo, é preciso correr muito atrás de coisas para fazer para não ficar com a sensação de que é tempo demais no mesmo lugar, de que no final já ficou meio chato estar ali. 

O curioso é que ao mesmo tempo, também aprendi que tem dias que eu não quero sair do quarto/hostel/couchsurfing, que quero apenas descansar, como se estivesse em casa. Na verdade, ter momentos assim fazem com que se tenha a impressão de casa, trazem um calor gostoso pra alma, e é bem importante aceitar e relaxar em dias assim.

Mas não todos os dias.

Hoje é meu último dia em Budapeste, e apesar de eu ter visto a parte turística, e ido além e conhecido 4 salas de concertos e ópera diferentes, andado, conversado e comido muito, ter feito amigos, vivido coisas lindas, estou com a sensação de que poderia ter curtido mais, me esforçado mais para ver uma outra cara da cidade. 

Certo, mas o que posso fazer melhor em meu próximo destino, Bucareste, na Romênia? Bom, usar mais o couchsurfing pode ser uma opção. Até hoje, apesar de 5 anos fazendo parte dessa rede social, só fui em 3 eventos organizados por eles, um em Salvador e dois em São Paulo. Provavelmente é porque eu tinha a minha própria vida nessas cidades, geralmente amigos o suficiente para dar e receber atenção, o que não é o caso agora. Dessa forma, acho que é hora de olhar com mais carinho para isso. 

Outras coisas para fazer e melhorar minhas futuras experiências seria puxar mais papo com desconhecidos em cafés, museus, etc. Tenho um puta bloqueio nessa área, mas é algo que pode ser melhor trabalhado também. 

Mesmo com esse leve gostinho amargo na boca, acho que aproveitei melhor Budapeste do que Praga, por exemplo. É aos poucos que vamos pegando o jeito do negócio!

LM

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Como fazer turismo lentamente!

Um dos maiores problemas de uma viagem de volta ao mundo é... tempo!

Só que é um problema ao contrário do qual estamos acostumados, pois a questão não é a falta, mas o excesso de tempo que temos numa viagem de longo prazo. Normalmente ao viajar, eu costumava sempre deixar os roteiros bem organizados e planejados, a Wanessa que o diga, como viajamos bastante juntos ela me conhece e sabe que eu adoro ter uma programação pronta ao chegar em algum lugar. Muitas pessoas são assim também, e mesmo as que não planejam muito, geralmente acordam cedo e vão logo para a rua para explorar um novo lugar.

Isso acontece porque geralmente o tempo é curto, 4 dias? Uma semana? Quinze dias? 2, 3 ou 4 cidades? Tudo precisa ser visto, sentido e aproveitado, afinal é férias, é hora de sair da realidade e aproveitar ao máximo! É comum no final das férias a gente voltar para casa tão cansado ou mais de quando saiu, precisando de férias das férias. Quando eu voltei da Tailândia, cheguei as 7 da manhã, após 24 horas de voo para chegar em São Paulo, tomei um banho, trabalhei na Caixa até o final do dia e depois fui para a São Camilo dar aula, voltando para casa as 11 da noite! Loucura, não é? Mas afinal, férias são para serem aproveitadas!

E aí entra a diferença, viagem de volta ao mundo não é férias, não é algo no qual você possa se esgotar e depois voltar para a rotina. A rotina é a própria viagem, o trabalho é justamente planejar o próximo passo, os próximos voos, o passeio de balão na Capadócia, os ingressos para a ópera em Sydney, o voluntariado em Hanoi (todos casos reais, aliás). Durante as primeiras semanas dessa etapa leste europeu foi que essa necessidade de estabelecer uma rotina, e não ficar correndo para conhecer tudo, ficou mais clara para mim. As etapas anteriores tinham uma dinâmica própria, a fazenda na Sicília tinha as horas de trabalho e descanso, o Caminho de Santiago tinha o propósito diário de chegar até a próxima cidade, e a rotina de comer, lavar roupa, cuidar dos pés. Depois as duas semanas com a minha mãe foram de turismo tradicional, passeios, museus, andar, andar, andar, descansar, descansar, descansar, nem dá tempo para pensar muito!

Aqui não, sou só eu e eu mesmo. Não tem nada de específico para fazer, e como eu separei 10 dias para conhecer Praga, e mais 11 dias para Budapeste, finalmente pude entrar em contato comigo mesmo e pensar melhor no que estou fazendo.

Ao longo dos dias entendi melhor o que fazer para não ficar com aquela sensação incômoda de que eu deveria estar aproveitando mais, ou descansando mais. Durante a manhã eu tomo um longo café da manhã, o que estou fazendo agora, por exemplo. Assim eu vejo meus emails, pesquiso sobre os próximos passos da minha viagem, agora estou planejando Bucareste e Sófia, procuro anfitriões no couch surfing ou pesquiso airbnb e hostel, vejo a programação de concertos, teatros ou ópera nas cidades, penso também nas etapas mais para frente, até agora tenho planejado até o final de janeiro, quando estarei na Austrália, e depois disso é que eu me troco e vou para a rua.

Geralmente eu separo uma, no máximo duas, atrações turísticas por dia. Hoje por exemplo meu objetivo é ir para um parque onde os húngaros colocaram várias das estatuas e monumentos da era socialista, uma espécie de memorial desse tempo.Depois disso, é hora de comer, tomar café, ler um livro e não pensar mais em turismo ou viagens, porque cansa ficar com isso 24 horas na cabeça. É preciso separar um tempo para a vida normal, descansar, ler, ver séries, etc. 

Como não sou a pessoa mais aberta a socializar, como já escrevi várias vezes, conto um pouco com a sorte para fazer amigos, ou mesmo uns casos, enquanto eu viajo. Aqui em Budapeste, por exemplo, conheci um norueguês de origem somali, e estamos nos vendo quase todos os dias, em Praga fiquei com um ucraniano e foi super legal. Foi sorte conhece-los, principalmente porque são pessoas que gostam de conversar, sair, beber. Uma coisa que já tenho mais firme aqui é que não vale mais a pena sair só para ficar e pronto, faço melhor uso da minha mão se for o caso.

Viajar a longo prazo é uma arte, e como tem gente fazendo isso! Conheci um dinamarquês que aluga o apartamento em Copenhague pelo airbnb e fica viajando pelo mundo com essa grana. Ele curte música clássica, ópera, etc, e fica passeando pelo mundo para ver essas coisas. Incrível, não é?

LM 

domingo, 30 de outubro de 2016

E as coisas vão melhorando!

O processo de entendimento sobre mim mesmo finalmente vem dando uns frutos mais saborosos esses dias.

Aquela máxima que diz que o primeiro passo para entender um problema é admiti-lo é realmente uma verdade. O "problema", que na verdade nada mais é do que uma característica minha, é que eu sou um ser social, preciso de plateia, preciso de outros atores no palco comigo, preciso me comunicar. Parece óbvio, parece que todos somos assim, mas não é tão simples, uma coisa é gostar de companhia, outra é NECESSITAR dela para estar bem.

O que acontece é que por muitos e muitos e muitos anos estive rodeado de pessoas, amigos, família e namorados. Sempre tive com quem falar, a quem recorrer, e nos raros momentos em que isso me faltava, me sentia extremamente desamparado, vazio, aflito mesmo. E era justamente essa sensação de levar um soco na boca do estômago que eu vinha passando todos esses dias.

Admitir a própria natureza é um processo que talvez não termine nessa vida para mim, somos todos complexos, e acredito que esse processo de auto conhecimento não precise terminar mesmo, é sempre interessante o quanto podemos descobrir e aprender mais e mais.

Uma vez admitido e melhor entendido o que estava ocorrendo comigo, a sensação de insatisfação começou a diminuir, dando espaço a coisas boas ocorrerem, como por exemplo pensar em começar algum curso online de forma mais séria. Ainda não sei qual, ainda não tenho ideia do que quero estudar, mas o primeiro passo foi dado. Em relação à comunicação, acredito que eu vá usar mais esse blog, escrever mais, começar a alimentar mais minha página do facebook também, apesar de eu estar decidido a continuar limitando meu acesso à minha página pessoal a apenas 2 vezes por semana, posso entrar e alimentar a Volta ao Mundo e sair.

Outra coisa, vou divulgar este blog para meus amigos e oferecer minha ajuda para organizar viagens, sem muita pretensão, mas é algo que eu quero fazer.

Tenho assistido muitos concertos aqui em Budapeste, e isso tem alimentado minha alma. Como eu gosto! Quero estudar mais sobre ópera, como eles cantam, porque um é melhor que o outro, quero saber mais desse mundo que me emociona e me faz chorar cada vez com mais frequência!

Decidi incluir Sofia no meu roteiro, e estou tentando encontrar um couch surfer lá, mas não está sendo fácil, os caras não tem capacidade nem para me responder que não! No final posso ir para o bom e velho hostel, e estou bem animado em ir para lá, já que eles preservam muito da cultura, arte e arquitetura comunista, é como uma viagem aos livros de história que eu tanto gosto! Me lembro da Marinês lá da industrial e de como eu gostaria de conversar com ela sobre esses lugares todos que estou visitando. Cada país aqui do leste tem sua própria história de conquista, independência, guerra, orgulho, libertação, heróis nacionais, e tudo isso em línguas diferentes! É uma aula a céu aberto, mas tem que abrir muito os olhos para enxergar!


















sexta-feira, 21 de outubro de 2016

O que é ser útil?

Sim, ainda estou na crise do que fazer além de turismo durante a viagem.

É muito linda a ideia de fazer uma volta ao mundo sozinho, para se conhecer, entender seus desejos e angústias, enfrentar seus demônios e no final se tornar uma pessoa melhor. Mas como é que isso acontece na prática?

Bom, varia, depende muito da sua personalidade, da forma como você busca se socializar e como você encara a solidão. Se você fala alguma língua além do português, já ajuda, é mais fácil entender, dá para interagir e conhecer diversas pessoas.

Errado.

Não é assim que se passa mesmo. Na vida de um viajante de longo prazo, as datas, as pessoas e os lugares ficam um pouco confusos. É realmente um exercício de sair da casinha, pois é uma situação nova, afinal, você não é um turista tradicional, e tampouco é alguém que mora ali. Esses 10 dias aqui em Praga me mostraram que eu agora sou meio que um hibrido entre nada e coisa alguma, exaspera um pouco porque tudo é diferente, a maneira de planejar os passeios, o tempo que você passa em cada atração turística, as horas e horas de pesquisa para descobrir coisas além do basicão, lugares e atrações que normalmente você descobre com calma e aos poucos ao se mudar para um novo lugar, mas que eu só tenho uns dias para achar.

E tem a questão das pessoas também. Eu, por exemplo, não sou muito de conversar com estranhos sem uma apresentação formal, então eu recorro aos bons e velhos aplicativos de pegação. Só que o problema é que eu não quero sexo (o tempo todo), quero alguém legal para sair, conversar, conhecer. O app que está dando os melhores resultados por enquanto é o Tinder, já que os caras lá são mais abertos a encontros e conversas do que ir direto ao ponto. Só que também tem um problema nisso, afinal, quem vai para um encontro assim normalmente quer sair mais de uma vez, conhecer melhor, aquela coorte toda com um namoro no final da linha. E, repito, eu não vou estar aqui por mais de duas semanas, então como encarar.

Por que afinal, e as minhas emoções e sentimentos, como eu trabalhar com isso conhecendo um príncipe encantado a cada dois, três dias?

Apesar dessa lamuriação, acho que tudo é uma questão de tempo. Mesmo um viajante pode estabelecer certas rotinas e rituais que deem mais força à sensação de normalidade que, pelo menos para mim, é necessária.

Já estou pensando em Budapeste, e tentando entender o que posso fazer diferente. Por exemplo, tirar um dia para ficar em casa a cada 5 dias mais ou menos, um day off para lavar roupa e ficar de boa, sair no máximo para comer ou beber, e não pensar em nada de turismo. Vim para Praga pensando nisso e não consegui, mas acho que em Budapeste, com meu quartinho por uma semana, vou ter um espaço mais gostoso para poder organizar minhas ideias, e aproveitar ESSE ANO INTEIRO QUE EU ME DEI DE PRESENTE para ver mais filmes, ler mais livros e usar esse relaxamento para me conhecer de fato. 

Também quero escrever mais, por exemplo sobre cafés que estou visitando. Tenho que me desligar da ideia de escrever pensando se vai ser útil, se alguém vai ler, se eu mesmo vou querer usar isso no futuro, eu quero escrever por que eu gosto de escrever, e isso basta! Nesse blog eu faço isso um pouco, sempre quando abro essa página aparece quantas visualizações houveram, cerca de 2 ou 3 por dia, e eu fico até mesmo surpreso, porque acho que não vai ter nenhuma! E ao contrário de me desmotivar, isso me anima a continuar escrevendo, pois é uma das melhores maneiras de botar pra fora tudo isso que eu fico remoendo na cabeça. É um alívio!

LM

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Bolo de cenoura e goulash

It's all about food at the end.

E é verdade, simples e clara como o cristal da Boêmia. Quando se deixa tudo, quando se vende o que se tem, larga o namorado, deixa o emprego, a cidade, a estante e os livros, quando não se precisa de mais nada, do que você precisa?

Comer está entre as primeiras necessidades, não tem como escapar!

Deixei a Alemanha ontem, a caminho de Praga. A viagem foi longa, e o ônibus não foi muito desconfortável, mas eu fiquei a viagem inteira me curando da ressaca, onde já se viu misturar vinho com cachaça Lucas? Isso me ensinou uma lição, nunca deixe um queniano ir te dando bebidas aleatórias.

Cheguei por volta da 8 da noite no hostel. Adorei o lugar, cama confortável, tomadas e lâmpadas individuais, e muitos asiáticos silenciosos. Perfect!

Decidido a não fazer turismo nesses primeiros dias, tomei banho, lavei cuecas e meias e saí para jantar. O restaurante que eu tinha lido sobre estava fechado, mas o garçom me indicou um restaurante parecido ali perto. Nessa hora, eu estava MORRENDO de fome.

Cheguei e os garçons eram de uma preguiça exemplar, com uma técnica nunca vista de virar a cara no exato momento que o cliente tentava pedir. O restaurante se chama U Vejvodu, com uns acentos que não tem no meu teclado, dá pra ver onde é clicando aqui.

Quando eu consegui pedir, fui logo de goulash, que pode ser ou o prato com a carne guisada e umas massinhas de batata para acompanhar, ou a sopa, que para mim deve ser a mesma carne guisada com mais líquido, vem acompanhado de pãozinho. Pedi também minha primeira cerveja tcheca, a famosa Pilsen Urquell. Olha aí que beleza.



Esse troço aí atrás é tipo um pretzel salgado que eles comem enquanto bebem, e é bem ruim, muito seco, e muito salgado. Do goulash eu nem tirei foto porque foto de sopa não dá muito certo, mas tava ótimo também. O legal foi que a conta veio em 124 coroas:

40 pela cerveja de meio litro (5,7 reais)
15 pelo pretzel ruim (2 reais)
69 pela sopa (9,8 reais)

Então eu gastei DEZESSETE REAIS E CINQUENTA CENTAVOS pelos jantar todo minha gente! Com a minha mãe lá em Paris isso não pagava nossas cervejas de 300ml. Como é bom poder pensar em reais sem medo de novo, tem horas que os euros dão medo!

Ontem num acesso de gula fui logo provando o pãozinho típico daqui, o trdelnik, que é massa de pão enrolada num espeto e assada que nem churrasco, e depois rolada no açúcar com canela, comi o meu na Trdlo (estou adorando fazer links hoje!).



É bom, tipo, pedi o básico sem recheio, então não tem lá muito gosto, e a massa tava quase crua, bem no limite. Estava bom porque estava quentinho e doce, mas acho que tenho que comer mais alguns pra saber se é legal mesmo ou não!

Foi isso, hoje estou num café super descolado, tomei sopa, suco orgânico das maçãs virgens da Eslovakia, pedi bolo de cenoura, tomei café e tudo custou, já com gorgeta, menos de 30 reais. Acho que amo esse lugar!



Amanhã vou começar a fazer passeios de turista. Vamos acompanhar!

LM


quinta-feira, 13 de outubro de 2016

O Cansaço das Viagens

Nunca imaginei que ficaria cansado de viajar. Mas não é um cansado no sentido de não ter mais vontade, pelo contrário, cada dia quero ir mais, conhecer mais, aproveitar mais. No entanto, tenho me sentido mais e mais esgotado.

A última parte da viagem com a minha família foi muito boa, apesar dos pequenos desentendimentos me senti mais leve, mais calmo, aceito de forma mais fácil hoje que cada um é diferente, e que essa coincidência bacana que é nosso encontro na terra deve ser aproveitada. No entanto, não conheci lá muita coisa nova, revivi coisas que na viagem com a Wanessa há pouco mais de um ano tinha visto.

Para tudo, esse texto tá saindo difícil, não estou conseguindo me expressar.

Eu quero dizer que estou cansado, ponto.

Acordar, passear, procurar roupa limpa, dormir, fazer a mala, trem, avião, ônibus, blá blá blá, o que comer, onde preparar, tem panela? Tem forno? Tem garfo? Tudo isso, praticamente todo dia, já me deixaram meio de saco cheio.

Ao mesmo tempo, estou curtindo tanto viajar! Que paradoxo, não é? Mas é normal uma moeda ter dois lado, assim também é a vida, com os altos e os baixos, os prós e os contras. Escrevo isso num ônibus de Munique para Praga, já viajei 5 horas desde Freiburg e ainda tenho quase 5 pela frente, então acho que esse cansaço se acentuou.

ESTOU SOZINHO, SOOOOOOZIIIIIIIIIIIIINNNNNNNNNHHHHHHOOOOOOOOOOOOOO

:)

Como é bom isso, tava morrendo de saudade de estar só comigo mesmo. Família, couch surfing, amigos, todos são lindos e incríveis, mas agora preciso de um tempo com o Lucas, quero ficar quieto, enfrentar meus medos, minhas eternas perguntas sobre tudo, enfim, relaxar. Também quero ver minhas séries, ler meu livro de boa, passar horas na cama sem culpa de não estar conhecendo algum lugar, interagindo com alguém, ou qualquer outra preocupação.

Estou seguindo um planejamento que eu tinha desenhado em linhas gerais lá em São Paulo, mas que eu não pensei tão a fundo, será que é a melhor maneira de passear? Será que vou me sentir feliz? Meu, eu tinha que seguir algum roteiro né? Não tem como saber de nada, tenho que me lembrar que eu nunca fiz uma volta ao mundo, não sei se vou gostar de lugares onde nunca fui, ou se gostaria mais de ir para outro lugar. Tenho que fazer minhas escolhas, e aproveitar o máximo delas.

Depois desse rolê do leste europeu vou para a Turquia, depois Índia, depois Austrália. Parei por ali por enquanto, já tenho viagem marcada até o final do ano. A ideia é passar pelo menos um mês na Austrália, mas ainda não sei se vou ficar mais, se vou pra Nova Zelândia ou sei lá o que, é muita viagem meu Deus!

Alias, como eu sou indeciso, que bosta! Fiquei uma semana entre a cruz e a espada na hora de escolher a passagem de Nova Delhi para Sydney, de um lado a Air Asia e uma passagem de uns 1400 reais, do outro a Singapure Airlines e uma passagem de 2000 reais. Economia e assento duro ou os mimos que eu adoro. A economia de 600 contos que eu poderia me dar de presente indo num restaurante, comprando umas roupas, ou fazendo um day spa, ou voar numa companhia nova e conhecer como que é o serviço de bordo que sempre me interessou. Bom, a luta foi grande, mas ganhou a Singapure mesmo. Lembrei dos meninos de Osasco e da mãe deles que ficou toda zuada indo pros EUA pelo México. Claro que eu sei me virar, que a Air Asia só não tem conforto, mas não é zuada e tals, mas meu, eu adoro voar, me interesso por aviões e companhia aéreas, e a economia nem é tão gigante assim, se fosse a metade do preço, daí talvez valesse a pena. O que me incomodou foi ficar desesperado uma semana inteira com esse assunto, quando meu coração já tinha me dado a resposta de primeira. 

Segue seu coração viado!

LM