domingo, 21 de agosto de 2016

Dia 3 - Caminho de Santiago - Larrasoaña

Meu, esse caminho é muito lindo!

Tipo, cenário de filme quase o tempo todo, é como se o Frodo fosse sair a qualquer momento de trás da árvore. A paisagem é bem diferente das quais eu estou acostumado, tem floresta, mas sem tanta variedade de plantas, é úmido, mas não te deixa encharcado, e os tons de verde, nossa, são muitos, e tão harmoniosos!

Ajudou muito o fato de que hoje tivemos poucas subidas, bom tempo e não fez frio! Foram 26km caminhados, a mesma distância do dia anterior, só que fiz em menos tempo, algo como 6 horas, não sei exatamente, não sou desses que fica cronometrando muito, e o meu corpo reagiu bem, NENHUMA BOLHA DAY 2! Mas uma dor nos ombros que começa a incomodar constantemente, e por isso eu fico tentando ajustar a mochila a cada 5 minutos para ver se encontro a posição ideal, que ainda não encontrei. A dor, apesar de constante, ainda está no nível do controlável, e como eu já joguei quase metade do que eu trouxe pelo caminho, não vejo muito aonde poderia reduzir o peso. Terminei o dia com quase nenhuma dor na batata da perna, o que me deixou bem feliz, pois aos poucos sinto meu corpo se acostumando com o ritmo de festa.

Um companheiro improvável apareceu em meu caminho hoje! Na verdade foi ontem, na hora de dormir, que apareceu um garoto espanhol para ocupar a cama de baixo. Hoje de manhã, sem eu convidar nem nada, ele estava caminhando ao meu lado, e me acompanhou O CAMINHO TODO! Só que com um detalhe, sem falar. Imagina eu com alguém que me dá respostas monossilábicas e não me pergunta absolutamente nada, durante 6 horas. Foi um aprendizado e tanto, metade do tempo fiquei ouvindo música, escutei um disco ótimo da Bethânia (Maricotinha ao vivo), um do Alex Ubago (calle illusión, que é meio que cansativo), e um do Ney (inclassificáveis, ótimo!). Na outra metade do tempo, fiquei apenas andando ao lado do meu companheiro silencioso, que em nenhum momento fez menção de se afastar de mim, me esperou fazer xixi, andou no meu ritmo sem pestanejar. Claro que pensei que ele estivesse me paquerando, e fiquei lutando comigo mesmo para parar de tentar conquistar o garoto, uma das coisas que mais tenho trabalhado nessa viagem, não ter a necessidade de encantar nem conquistar ninguém. Minha principal conquista deve ser de mim mesmo!

Aqueles momentos profundos do caminho também começaram a aparecer. Comecei a lembrar dos meus ex, com muito, muito carinho. Como eu amei esses três homens, como eles foram especiais e fundamentais para mim, e como eu sou feliz por tê-los em minha história. De verdade, amar é uma coisa boa, se entregar é uma experiência intensa, e eu tive sorte de poder amar e ser amado de todo coração. São pessoas assim que devem ser valorizadas na nossa vida, espero aprender isso mais a fundo para quando houver uma nova oportunidade.

Acontece que ao lembrar dos meus namorados, comecei a regredir para todos os meninos que eu já gostei intensamente, até voltar para a segunda série, para o William, e para as pouquíssimas lembranças que eu tenho dele. Isso me fez olhar para mim mesmo, enxerguei o Lucas com 8 anos, a imagem de uma foto 3x4 de cabelo arrepiado que tenho até hoje, e comecei a falar com ele, como se estivéssemos andando de mãos dadas pelo caminho. Lembrei de várias coisas que me passavam pela cabeça nessa idade, e tentei acalmar aquela criança, contando como será seu futuro, as coisas incríveis que ele irá viver, os países todos que ele vai visitar, e como a relação com a mamãe vai continuar intensa. A certo momento, um dos meus maiores medos da infância apareceu, a solidão e a falta de amigos. Na hora que a criança me falou sobre isso, imediatamente comecei a contar para ele sobre a Verônica, a Taíza, a Wanessa e o Tiago, meus quatro melhores amigos, e sobre muitos outros amigos queridos e verdadeiros que tenho hoje, disse a ele que na verdade é tudo muito normal, você não irá socializar com todo mundo, vai ficar muitas vezes isolado por inúmeros motivos (inclusive os internos), mas como todo mundo, você irá encontrar parceiros na vida, pessoas que simplesmente estarão sempre presentes, mesmo quando longe. Isso abriu um sorriso no rosto a criança, e ela se foi, ao menos por enquanto.

É incrível como essas coisas são importantes, fundamentais.

As vezes ao andar me dá uma sensação estranha de familiaridade com as paisagens. Se houverem outras vidas, acho que os antigos eu já fizeram esse caminho também.

Houveram sons de cachorro hoje, mas como eu estava acompanhado e muitos outros peregrinos à frente e atrás, além do Mirtô protetor, fiquei de boa. Um cachorrinho preto apareceu, com uma coleira feita de corrente, acho que ele era tipo um cocker, ele apenas passou e saiu correndo, desaparecendo. Lembrei do livro do Paulo Coelho, onde ele fala sobre um cachorro preto. Acho que vou reler o livro para me lembrar da história, mas também sei que se eu ler vai perder toda a magia, vamos acompanhar.

Hoje não foi um dia de muitos gastos (eba!), vamos às contas:

Dia 1: 37,00
Dia 2: 27,30
Dia 3: 25,00

Do passo afora

eu me encaminho adentro
O mundo externo e eu somos um só
Uma festa de passos e existência

LM

sábado, 20 de agosto de 2016

Caminho de Santiago - dia 2 - Roncesvalles

Dizem que o primeiro dia de caminhada é um dos mais difíceis de todo o caminho. E foi difícil pra caralho!

É difícil começar a escrever sobre o que aconteceu. Primeira coisa, as músicas que vêm à cabeça, comecei com o Hino à Independência, que me acompanhou praticamente pelas 2 horas iniciais de caminhada.

Parabéns ó brasileiros, ver contente a mãe gentil, já raiou a liberdade, no horizonte do Brasil (parapá parapapá!)

Depois passamos pelos clássicos "estava a velha a fiar" e aquela música chata dos quilotes.

Acho que isso se deve ao fato de eu estar com saudades do meu país. Não adianta ser durão, fazer a linha internacional nem nada disso, eu sinto falta e pronto, não é racional, não chega nem a ser saudade, é apenas a falta do português, de saber como as coisas funcionam, esse tipo de coisa. E é bom sentir falta, é bom dar valor ao que se tem, mesmo que meus planos agora sejam de ficar longe por um tempo.

Após deixar o albergue, passei pela frente da igreja, que estava aberta, e vi que, na portinha onde tinha deixado coisas para doar ontem, ainda havia a minha trouxinha. Então a peguei, entrei na igreja, deixei num banco e falei para os velhinhos que acendiam as primeiras velas do dia: uma pequena doação para os pobres, um bom dia para vocês! Fiz o sinal da cruz e saí, feliz da vida.

O desapego é uma das lições mais importantes mesmo desse primeiro mês. Nada vale a pena, nada merece mais do que um pouco de nós. O que não tem serventia, o que não é usado, deve ser descartado, simples assim. Ontem eu tinha a necessidade real de ter um apartamento, televisão, geladeira boa e sempre cheia, portanto os mantinha comigo, hoje eu preciso da minha mochila o mais leve possível, roupas que sequem rápido e alguns produtos de higiene, então os tenho. Mudamos, e conosco nossas necessidades, quanto tempo se passa na vida sem se refletir de verdade sobre isso. Os objetos quando vazios de significado e utilidade são apenas mais uma forma de prisão, de opressão.

A subida é longa, tipo longa mesmo, foram praticamente os primeiros 16km (!), com trechos bem inclinados.

PHODA

E para começar o caminho de uma forma especial, sem ironias, foi um dia frio, em alguns trechos
menos de 10 graus, com chuva e com neblina. Dá para imaginar? Uma subida do cão, com frio e chuva e sem enxergar quase nada, com um mochilão pesado nas costas? Então por que eu achei o dia realmente bom? Porque assim é a vida, ora bolas! A vida é expectativa, queremos um começo de caminho feliz e ensolarado, com as flores e os passarinhos nos incentivando a cada passo, novos amigos aparecendo para caminhar ao seu lado e tudo indo bem. Só que a vida real é o desafio, a superação de medos, limites, e a consequência dos nossos atos.

Pois apesar do tempo não estar de acordo com a expectativa, o dia foi realmente muito lindo e especial. No começo da manhã teve um período sem chuva, e as nuvens se abriram um pouco para me presentear com uma vista linda, uma paisagem pastoral com vacas e ovelhas que me fez pensar como a natureza realmente é perfeita, como os animais, com sua ignorância da morte, vivem apenas o dia, encarando chuva e frio para comer e se manter vivo. É uma força muito forte e sábia essa.

Após as duas primeiras horas de caminhada surge uma casinha na estrada, num lugar chamado Orisson. Tomei um café e comi uma madalena. Uma pequena despedida da França que logo mais iria acabar numa fronteira tênue com a Espanha. Nesse lugar, vários outros peregrinos resolveram parar para uma pausa maior, tirar os sapatos, aliviar um pouco a tensão da primeira subida. Para mim essa tática não funciona, pois preciso de uma recompensa ao final do grande esforço, e para mim essa recompensa é o descanso e a comida, portanto se eu fizer pausas longas e me sentir relaxado, minha cabeça processa aquilo como o final da missão, e depois para levantar e continuar fica difícil.

Isso me leva a uma questão que acho que 100% dos peregrinos escrevem: ESSA PORRA NÃO É UMA CORRIDA! Ah, mas como dizer para nossa mente, acostumada a querer ser melhor, mais rápida, mais forte que a dos coleguinhas, que cada um tem seu ritmo, e que o caminho é pessoal, cada um faz o seu? No meu caso, eu preciso me lembrar em voz alta e com frequência disso, e dessa forma criei um ritmo de caminhada constante, que não me deixou esgotado em nenhum momento do dia, e que me fez chegar bem em Roncesvalles, num tempo também muito bom, cerca de 7 horas.

Mas é claro que eu estou destruído. Dor nos ombros e na batata da perna estão pegando mais. Fiz alongamento após o banho, assim como uma massagem nos pés, que obviamente estão cansados. Mas também tenho notícias boas, sem bolhas e sem dores fortes no joelho! Justamente o que me preocupava mais.

Dei um nome para o meu bastão: Mirtô. Obrigado vovô, por tudo, te amo.

O Mirtô me ajudou muito hoje, fazendo com que eu não forçasse demais meus joelhos e me dando equilíbrio quando eu precisava. Ainda estou aprendendo a usá-lo, e observar os outros peregrinos ajuda bastante, já aprendi a encaixar ele meio inclinadinho na terra, e também a usar a fita que vem na manopla para fixar minha mão e ajudar a distribuir a força. Foi um bom começo de amizade.

Tem tantas senhoras nesse caminho! Muitas com certeza acima dos 50 anos, e elas vão que vão, não estão nem aí, um passinho atrás do outro, muitas vezes na minha frente! (Lucas, não é uma competição... ok ok)

Nos últimos quilômetros de caminhada passamos por uma floresta mágica tão linda, tão verde, e a névoa deixou tudo aquilo ainda mais incrível. Teve uma hora em que eu estava sozinho e parei. Não conseguia ver mais de 10 metros a frente ou atrás, e ao deixar de caminhar parou a "música" produzida pelo meu corpo e mochila, o que me deixou envolvido pelo silêncio de floresta, onde se consegue ouvir as folhas, o chão, e a si mesmo. Foi algo que mal durou um minuto, mas foi especial.

O albergue é bem grande e bem moderno, o chuveiro é DELICIOOOOOOOOOOSSSSSSSSSSSSOOOOOOOOOOOOOOOOO, e eu fui certeiro, cheguei, deixei as coisas no armário e fui logo tomar banho antes de formar fila. A cama também é bem confortável, só não tem tomadas ou luzes individuais, o wi-fi também não pega aqui, mas como eu estou facebookfree essa semana, não faz muita diferença. O preço também foi um pouco mais caro do que eu imaginava, 12 euros.

Vou fazer uma tabelinha de gastos para ver o quanto vai sair o caminho todo, contando a partir dos meus gastos em SJPP

Dia 1: 37
Dia 2: 27,30

O jantar foi muito bom, não pela comida, que foi preparada com desrespeito (serviram iogurte de sobremesa), mas pela mesa cheia de gente legal, conversamos muito, falei mais do que devia após uns copos de vinho, e fomos os últimos a sair. Acho que dessa forma que se vão formando os amigos do caminho. Vamos ver se isso dura!

LM





sexta-feira, 19 de agosto de 2016

CAMINHO DE SANTIAGO - DIA 1 - SAINT JEAN PIED DE PORT

A palavra é: CHEGUEI!

Quanto tempo, quantos anos, quanta expectativa de um dia fazer esse caminho. No final, ele tinha virado mais um sonho adormecido dentro de mim, uma lembrança carinhosa da época que eu era moleque e não me importava de sonhar sempre um pouco mais.

O quê tenho me perguntado nos últimos dias é justamente qual é a minha motivação para querer andar tantos e tantos quilômetros a pé? Tenho algumas pistas, primeiro o livro do Paulo Coelho, que li em Uberaba há uns 16 anos atrás. A vibe de mago e peregrino, a minhas experiências tentando reproduzir os rituais que ele fazia no livro lá na casa da vó Lídia, rodeado de coca cola e pão de queijo, numa época em que eu mal tinha noção do que era Espanha. Depois, numa noite na casa do meu irmão, nas famosas sextas-feiras após a meia noite, quando só se pagava um pulso pela internet, fui digitando aleatoriamente paulocoelho.com, paulocoelho.net.br, até acertar (num mundo sem google) e enviar uma mensagem para ele falando da minha vontade de fazer o caminho, pois havia lido que ele bancava viagens de peregrinos pobres que nem eu. No final, recebi um email assinado pelo escritor (vai saber...) me desejando força e um bom caminho. Tomei aquilo como um incentivo e continuei vivendo a minha vida.

Para mim, deixar Botucatu e vir para a Espanha tinha apenas um significado, LIBERDADE. Bullyng na escola, ausência de pai e mãe (hoje não mais!), falta de grana, falta de perspectiva, eu me sentia realmente dentro de uma prisão, sem direito a entrar na festa que para mim faziam parte tantos outros. O caminho naquela época me parecia a forma de evoluir, encontrar valor em mim mesmo e finalmente dar certo na vida, deixando para trás meus problemas, minha família ausente, tudo o que me fazia mal.

COMO EU ERA INGÊNUO! Mas como é grande o carinho que sinto por aquele adolescente tão complicado que eu era, tão cheio de razão, tão solitário mas que no final nunca perdeu a esperança. Afinal, hoje estou aqui!

Depois que eu cresci e as coisas finalmente foram acontecendo, viagens, faculdade, casamento, mudança para a Europa, mais viagens, separação, recomeço, sucesso profissional, apartamento próprio, até finalmente jogar tudo para o alto, vender tudo e começar a dar a volta ao mundo, durante todos esses momentos o caminho ficou adormecido, como um sonho mesmo, uma ideia infantil que ficara apenas no campo dos planos.

E como mudou? Justamente ao pensar em um ano inteiro viajando pelo mundo, com o propósito de me encontrar, de descobrir para onde eu quero guiar a minha vida a partir de agora, o caminho veio como um trem de encontro à uma parede de pedra. BUMMMMMMM! Óbvio, depois de tanto tempo, era no caminho que eu iria conseguir ter um momento a sós comigo mesmo que há tanto eu almejo. E dessa forma coloquei o caminho na etapa número dois da minha viagem, após um primeiro mês de viagem e trabalho ao sol no sul da Itália, para fazer meu corpo começar a funcionar melhor.

Tudo isso me trouxe até onde estou hoje, Saint Jean Pied de Port, na fronteira sul da França com a Espanha, etapa inicial de uma das várias possibilidades de se chegar a Santiago, conhecido como Caminho Francês (apesar de incluir apenas 1 cidade na França).

Assim como todos os peregrinos que vejo ao meu redor, também estou excitado, ansioso, querendo me jogar na estrada e começar logo minha caminhada. Cheguei aqui em SJPP vindo de Bayone, que fica a apenas uma hora de trem daqui, aliás, o trem percorre uma paisagem tão linda que me fez lembrar da noviça rebelde. A cidade tem uma energia toda especial, e vive em função dos peregrinos e dos turistas que passam por aqui apenas para ver os peregrinos! E também as muralhas da cidade, e os prédios e o clima de lugarzinho medieval que reina por aqui, SJPP é patrimônio mundial pela Unesco, e sinceramente, merece.

Nesse primeiro dia tive contato com dois caras, um novinho italiano de 18 anos, que não conseguiu se segurar e partiu em caminhada ainda agora de tarde, provavelmente para dormir na barraca no meio dos Pirineus, e um sueco que veio andando... DA SUÉCIA! Ele já percorreu 2700km e vai até Finisterre, que fica a 90km além de Santiago. Conversei brevemente com alguns outros peregrinos, mas nenhum contato mais forte além desses.

Consegui vaga no albergue municipal, o mais baratinho e mais tradicional eu acho, paguei 10 euros pela cama e estou surpreso por ser um lugar bem limpo, com banheiros com muita água quente e camas confortáveis com tomada! Vamos ver como serão os próximos.

Hoje o clima é de aventura, de desconhecido, de frio na barriga sem saber se o corpo aguenta. Joguei tanta coisa fora desde Assis, simplesmente estou deixando o que não uso pelo caminho. Hoje foi a vez de roupas que eu gostava muito, mas que já usei bastante e que não farão falta pelo caminho. Minha mochila está com 12kg, e sei que preciso fazer ela pesar o menos possível para atingir meu objetivo de caminhada sem me martirizar demais. E outra coisa, POR QUE PRECISAMOS DE TANTO? Por que nos obrigamos a ter essa tralha toda que carregamos nas costas durante toda nossa vida, qual o sentido disso?

Isso me leva a uma outra pergunta interessante: do que precisamos de verdade? Do que eu preciso na minha vida?

Agora vou jantar e descansar, bonsoir!

LM







segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

CONFEITARIA DO MACGYVER!

PARA VOCÊ QUE ADORA UM DOCE MAS NUNCA FEZ PORQUE ERA DIFÍCIL, SEUS PROBLEMAS ACABARAM! RECEITAS BOAS, SIMPLES E SEM ENROLAÇÃO, BORA?


FAREMOS UM BOLO INGLÊS DE BAUNILHA E CEREJAS, CHIQUE NÃO? E ISSO UTILIZANDO APENAS UM GARFO, UMA TIGELA E UMA PANELA. DUVIDA?

COMEÇANDO POR EXPLICAR OS INGREDIENTES, A CEREJA FRESCA ESTÁ ATUALMENTE EM PROMOÇÃO NO MERCADO, MAS DURA POUCO. NA AUSÊNCIA DELA VOCÊ PODE USAR A CEREJA EM CALDA SEM PROBLEMAS, MAS AVISO LOGO QUE O SABOR É BEM DIFERENTE.

VAMOS PRECISAR:

1 COPO AMERICANO DE AÇÚCAR REFINADO (130 G)
UM POUCO MAIS DA METADE DE UM TABLETE DE MANTEIGA SEM SAL (130 G)
2 OVOS
3/4 DE COPO DE LEITE INTEGRAL (100 ML)
2 COPOS AMERICANOS DE FARINHA DE TRIGO (180 G)
ALGUMAS GOTAS DE ESSÊNCIA DE BAUNILHA
100 G DE CEREJA FRESCA SEM CAROÇO
1 COLHER DE CHÁ DE FERMENTO QUÍMICO (5 G)

PREPARANDO BEM OS INGREDIENTES, EM MENOS DE 5 MINUTOS SEU BOLO JÁ ESTARÁ NO FORNO. LET´S START BABY!

COM SEU GARFO, MISTURE A MANTEIGA COM O AÇÚCAR ATÉ FORMAR UM CREME CLARO.
ACRESCENTAR OS OVOS E MEXER COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ!
ACRESCENTAR METADE DO LEITE E MEXER.
ADICIONAR UM COPO DE FARINHA E MEXER, CUIDADO PARA NÃO DEIXAR VOAR MASSA POR TODOS OS LADOS!
ACRESCENTAR O RESTANTE DO LEITE. CASO A MASSA FIQUE COM APARÊNCIA DE TALHADA, NÃO CHORE. ACONTECE E TUDO VAI DAR CERTO NO FINAL.
ADICIONAR À MASSA O RESTANTE DA FARINHA DE TRIGO.
AGORA É HORA DA DELICADEZA. ACRESCENTAR A ESSÊNCIA DE BAUNILHA E AS CEREJAS À MASSA, MAS NÃO MISTURAR DEMAIS PARA MANTER AS CEREJAS INTEIRAS.
O TRUQUE, EM QUALQUER BOLO QUE LEVE FERMENTO QUÍMICO, É SEMPRE ACRESCENTÁ-LO POR ÚLTIMO. É ELE QUE FAZ SUA MASSA CRESCER, RESPEITE-O!
SE VOCÊ, COMO EU, NÃO TIVER UMA FORMA REDONDA, PORQUE NÃO USAR A PANELA UNTADA E ENFARINHADA? MAS VALE RESSALTAR, NESSE CASO O CABO DEVE SER DE METAL (DEPOIS NÃO VAI ME XINGAR FALANDO QUE EU NÃO AVISEI...)
VOCÊ PODE ATÉ FAZER LINDOS DESENHOS NA SUPERFÍCIE DO BOLO, MAS O QUE IMPORTA MESMO É QUE A MASSA FIQUE BEM DISTRIBUÍDA. AGORA É SÓ LEVAR AO FORNO PRÉ-AQUECIDO EM TEMPERATURA MÉDIA. 
DEPOIS DE UNS 20 MINUTOS, É HORA DE ESPETAR UMA FACA NO MEIO DO BICHO. SE SAIR LIMPA, ESTÁ ASSADO! AGORA É SÓ ESPERAR ESFRIAR PELO MENOS MEIA HORA.
O MOMENTO DE TENSÃO DA NOITE, SERÁ QUE VAI SAIR?
SAIU! 
MAS COMO É QUE O MACGYVER DEIXARIA ISSO BONITO?
AÇÚCAR REFINADO NA PENEIRINHA? HUM, MAS TEM TAMBÉM 3 METADES DE CEREJA QUE NÓS GUARDAMOS EM CASO DE EMERGÊNCIA, NÃO É MESMO?
E AÍ ESTÁ, UM LINDO BOLO INGLÊS, MACIO E FOFI... HUM, SERÁ QUE ESTÁ FOFINHO MESMO?
ESTÁ SIM, PODEM CONFIAR, MACGYVER NUNCA FALHA! BOM APETITE!

sábado, 24 de novembro de 2012

CANAPÉ DE ABACAXI COM GORGONZOLA E PRESUNTO

ESSA NOITE, BEM NO FINALZINHO DELA, DEPOIS DE UM DIA MUITO BOM COM DIREITO A PESSOAS LINDAS (MAMÃE INCLUSIVE!), UNS AMIGOS VIERAM VER FILME AQUI EM CASA. EU TINHA UMA HORA E RESOLVI FAZER UM CANAPÉ GOSTOSO E QUE COMBINA COISAS BOAS - PELO MENOS PARA MIM!

1º DESCASCAR E FATIAR UM ABACAXI. PARA 35 CANAPÉS UTILIZAR 1/4 DE ABACAXI. EM UMA FRIGIDEIRA COLOCAR UMA BOA COLHER GRANDE DE MANTEIGA, O ABACAXI E POLVILHAR 4 COLHERES DE SOPA SOBRE O ABACAXI. COZINHAR EM FOGO MÉDIO, MEXENDO DE VEZ EM QUANDO, ATÉ ADQUIRIR COR E REDUZIR O LÍQUIDO.



2º EU UTILIZEI PÃO DE CENTEIO DA WICKBOLD LEVEMENTE TORRADO PARA FAZER A BASE DO CANAPÉ. MINHA DICA PARA QUALQUER CANAPÉ É SEMPRE CORTAR O PÃO EM CUBOS PEQUENOS, POIS UMA CARACTERÍSTICA DELE É QUE PODE SER COMIDO EM APENAS UM BOCADO.



3º DEPOIS BASTA COLOCAR O DOCE DE ABACAXI, UM PEDACINHO DE GORGONZOLA E UM PEDACINHO DE PRESUNTO ENROLADINHO. 



4º AGORA É SÓ FAZER E APROVEITAR. ESPERO QUE GOSTEM.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Carbonara!

Eu estava há dias com vontade de comer um macarrão Carbonara. Na minha última ida ao mercado me dei conta de como é simples preparar esse prato. Comprei as coisas, fiz direitinho minha mis en place, que é o termo francês que usamos para designar o pré preparo dos ingredientes, e mãos à obra!
Claro que para colocar essa receita aqui no blog era preciso dar uma pesquisada, senão isso aqui vira só mais um livro de receitas online. 
O que eu descobri sobre o prato é que ele tradicionalmente é preparado com spaghetti, embora eu goste muito mais de utilizar fettuccine ou talharim, porque dá para absorver melhor o molho, e os ingredientes ficam mais fáceis de juntarem-se com esse tipo de macarrão.
O prato é originalmente da região de Roma, e na Itália ele não é preparado com creme de leite, como eu faço aqui. Claro que se você puder utilizar um bom pecorino romano no lugar do faixa azul de pacotinho que eu tenho, e conseguir comprar o bacon produzido com as bochechas dos porquinhos italianos, como manda a tradição, ao invés do bacon Sadia, seu prato não vai precisar nada mais. Eu acho que fica uma coisa mais americanizada com o creme de leite, mas mesmo assim é muito bom, pode confiar!
O ponto principal da receita é que ela é preparada com gemas cruas, que vão ser adicionadas apenas no final da preparação. Isso é feito para que elas não talhem, pois isso acontece sempre que elas são aquecidas acima de 85ºC. Mesmo assim, fiquem tranquilos porque o calor do macarrão é suficiente para cozinhar as gemas E NÃO FICA COM GOSTO DE OVO!!!!!
Na foto aparece também uma taça de vinho com um Carmenère chileno, o Santa Helena Reservado. Acompanha bem demais esse prato (sozinho eu já matei meia garrafa!)  



Para o molho (serve de duas a três pessoas, dependendo da sua educação):
- 30 g de manteiga sem sal
- 200 g de bacon com bastante carne
- 1 cebola média picada
- 2 gemas 
- 200 ml de creme de leite de caixinha ou fresco
Derreter a manteiga em fogo médio, adicionar o bacon picado e fritar até começar a dourar. Adicionar a cebola cortada em cubos médios e cozinhar até que ela fique macia e transparente.


À parte, cozinhar o macarrão al dente - eu utilizei um fettuccine fresco (lembrando que massa fresca cozinha bem mais rápido que a seca). Utilizar as seguintes proporções:
Massa fresca: 400 g
Massa seca: 200 g
Adicionar o macarrão cozido ao refogado.
Por último, retirar a preparação quente do fogo, e acrescentar as gemas misturadas ao creme de leite. Não voltar o macarrão ao fogo para não talhar as gemas.
Na finalização à mesa, colocar parmesão (quanto melhor, mais gostoso, óbvio), e se quiser uma frescura, uma salsinha picada sempre cai bem (eu só utilizo levemente nas laterais do prato, não por cima da comida).

BOM APETITE!

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

QUEM VAI QUERER COMPRAR BANANA?

O ADILSON E O LAURENT, QUE MORAM COMIGO ATUALMENTE, VIVEM LÁ EM PARIS. O ADIL É BRASILEIRO, MAS O LAURENT É FRANCÊS, E ELE DIZ QUE, SE TEM UMA COISA É BARATA NO BRASIL (E SÃO POUCAS), É FRUTA. QUANDO ELES VÃO À FEIRA EU JÁ SEI QUE A COZINHA VAI VIRAR UM POMAR! ACONTECE QUE NESSA SEMANA ELES COMPRARAM MUITA BANANA, QUE MESMO SENDO UMA FRUTA DELICIOSA, NÃO DÁ PARA FICAR COMENDO O TEMPO TODO.  RESOLVEMOS QUE EU FARIA UM DOCE COM ELAS.
BOLO DE BANANA É UMA COISA MUITO POPULAR LÁ EM BOTUCATU, E EU ACREDITO QUE SEJA NO BRASIL INTEIRO ASSIM. E EU GOSTO MUITO, MAS NÃO ADIANTA, CONFEITEIRO GOSTA É DE INVENTAR. 
OUTRO DOCE DE FRUTA QUE EU CURTO É A TARTE TATIN, UMA TORTA FRANCESA FEITA DE MAÇÃS CARAMELADAS, POR ISSO PENSEI EM FAZER ALGUMA COISA PARECIDA COM ISSO PARA CRIAR UMA TORTA DE BANANA DIFERENTE. PORÉM, COMO A BANANA É BEM MAIS FRÁGIL QUE A MAÇÃ, FIZ O CARAMELO AMANTEIGADO À PARTE E DEPOIS JUNTEI A FRUTA NELE. COMO BASE, FIZ UMA VARIAÇÃO DO PÃO DE LÓ USANDO TAMBÉM BANANA. GOSTEI BASTANTE DO RESULTADO, E A RECEITA FICOU ASSIM:


TORTA DE BANANA CARAMELADA



BOLO:
- 4 OVOS
- 2 BANANAS MADURAS
- 120 G DE AÇÚCAR REFINADO (6 COLHERES DE SOPA MÉDIAS)
- 120 G DE FARINHA DE TRIGO (6 COLHERES DE SOPA CHEIAS)
É SÓ COLOCAR OS INGREDIENTES NESSA ORDEM NO LIQUIDIFICADOR E BATER POR UM MINUTO. DEPOIS ACRESCENTAR:
- 7 G DE FERMENTO QUÍMICO, PÓ ROYAL (1 TAMPINHA DO POTE QUASE CHEIA)
E BATER MAIS 30 SEGUNDOS PARA MISTURAR (NÃO MAIS PARA O FERMENTO NÃO COMEÇAR A REAGIR)
LEVAR AO FORNO PRÉ AQUECIDO (SEMPRE!) A 170ºC E ASSAR POR CERCA DE 25 MINUTOS, OU ATÉ FICAR DOURADO E, AO ENFIAR UMA FACA, QUE ELA SAIA SECA.



ENQUANTO O BOLO ESTIVER ASSANDO, VOCÊ PODE IR PREPARANDO SUA BANANA CARAMELADA DA SEGUINTE FORMA:
INGREDIENTES:
- 100 G DE MANTEIGA SEM SAL DERRETIDA (1/2 TABLETE)
- 150 G DE AÇÚCAR REFINADO (1 COPO DE REQUEIJÃO)
DEPOIS DE DERRETER A MANTEIGA, ACRESCENTAR O AÇÚCAR E COZINHAR EM FOGO ALTO ATÉ VIRAR UM CARAMELO. CUIDADO QUE O BICHO PASSA DO PONTO NUM MINUTO! RETIRAR O CARAMELO DO FOGO E ADICIONAR:
- 3 BANANAS CORTADAS EM OBLÍQUO (SÓ OLHAR A FOTO, FICA MAIS SIMPÁTICO CORTADO ASSIM DO QUE EM RODELAS). 
DEPOIS DE ADICIONAR AS BANANAS, ACRESCENTAR
- 100 G DE CREME DE LEITE 
E MEXER FORA DO FOGO.
COBRIR O BOLO AINDA QUENTE, PARA QUE ELE ABSORVA O CARAMELO. 
O BOLO NÃO VAI FICAR FOFINHO, PORQUE A IDÉIA É QUE ELE SEJA MAIS UMA BASE DE TORTA.
E É ISSO! ESPERO QUE FAÇAM, E QUE GOSTEM!